Reflexões num 8 de Março

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Naíme Silva

Escolhi este momento para realizar as minhas reflexões a partir deste dia Internacional da Mulher, onde o discurso ideologicamente apregoado é “da conquista das mulheres por seu espaço”, marcarei este dia com este registro em repúdio a este discurso que encobre com um véu a cultura machista, neoliberal e perversa da chamada Aldeia Global, e segundo para indagar-me qual o sentido de sobreviver no “Não Lugar”.

Ainda há pouco vasculhei o site da Escola da Ponte, em Vila das Aves, Norte de Portugal, e naveguei sobre as crônicas deliciosamente libertadoras das reflexões de Rubem Alves sobre a educação libertária, a educação para a vida construída coletivamente e mediada por Pacheco.

Fiquei pensando que existir e viver onde há “um lugar” de troca, convivência, descobertas de conhecimentos é “um lugar” que defende e preserva a vida, a dignidade, a estética e ética!, portanto a felicidade. Estes princípios filosóficos epicuristas tão prazerosamente já pensados nos Jardins de Epicuro nos remete a uma educação para a liberdade e felicidade.

Ora, mas como é possível num mundo onde as Ruínas imperialistas não admitem que iniciam sua queda e ardilosamente já não lhe basta a luta sangrenta do massacre da guerra e do terror, mas a guerra pelo domínio ideológico e financeiro na extensão do “quintal” Sul Americano?

A Ideologia do TIO SAM esta implementada de forma constante, sorrateira e muitas vezes perversamente subliminar nas recomendações de anos por uma educação bancaria e mercadológica. Educação voltada para o Mercado, para o capital.

O “Senhor da Guerra” faz de sua visita ao Brasil, a marcação de mais um territorio de exploração e política de extermínio, como se jogasse um jogo de Guerra , como um Jogo de tabuleiros.

Nesse sentido, penso que as mulheres e homens brasileiros necessitam entender qual seu lugar no mundo. Qual nossa importância em vivermos com o que resta de recursos naturais e híbridos do Mundo? O que fazermos com um “pulmão” que esta arruinado num “corpo” ardendo em febre tão divulgado como aquecimento Global?

Eu e uma amiga da universidade, sentamos para realizar excelentes reflexões num ensaio intitulado “ O Não Lugar na Aldeia Global” , onde reafirmamos que a Globalização produz o isolamento de pessoas devido a perpetuação do “Não Lugar”. Em meio à ideologia mercantilista da Educação, ainda nos resta a voracidade pelas reflexões, que nos dá sentido e ainda nos mantém vivos, em sobrevida.

Qual o papel que nos Educadores brasileiros ocupamos neste cenário?

Gosto muito de refletir a partir de poemas e musicas o que me cerca, para pensar o que esta a minha volta, o que percebo no mundo. Uma das canções que me vem a mente, que definiria meu sentimento, poderia ser Senhas de Adriana Calcanhoto:

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
Eu compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…

De fato concordo com Marx, quando fala sobre a necessidade humana que leve a uma nova necessidade, em consonância com os desejos postulados por Freud que se realizados se refazem em novos desejos.

E na chamada pós-modernidade, os desejos, sonhos e utopias de um mundo humanizado são considerados ultrapassados. Na atualidade, o campo dos sonhos se transforma nas ilusões, nos Mitos. No Mito da beleza e juventude eterna cultuados desde a infância num corpo sem sensualidade da Barby. Na magreza tirânica das meninas “Ana e Mia”, que chegam ao limite da morte física para cristalizar o falso Mito da Beleza eterna.

E tudo isso gira em minha mente como uma Roda Viva!

Fiquei aqui com meus botões pensando se deveria dar um formato mais ABNT a estas minhas reflexões e resolvi que não quero por hora. Se virar artigo cientifico , poderia pensar em revisá-lo de acordo os protocolos dos “Manuais da Academia” que poderão tornar minhas reflexões objeto cientifico e talvez pontuar meu currículo como Educadora.

Mas nada disso me importa agora. Venho tentando ao longo destes meus 40 anos, destruir minhas ilusões e mitos ideologicamente enraizados em minha cultura e não permitir que meus sonhos e utopias de um mundo melhor escapem da minha ação cotidiana no mundo. Queria ouvir novamente o mantra de Lennon ecoar em todas as partes do Mundo:

Ev’rybody’s talking about
Bagism, Shagism, Dragism, Madism, Ragism, Tagism
This-ism, that-ism
ism ism ism
All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

its goin’ great

Everybody’s talkin’ bout’ministers,
sinisters, banisters and canisters,
bishops and fishops and rabbis and pop eyes,
and byebye, byebyes

all we are saying is give peace a chance,
all we are saying is give peace a chance,

let me tell you now
Ev’rybody’s talking about
Revolution, evolution, masturbation,
flagellation, regulation, integrations,
meditations, United Nations,
Congratulations.
All we are saying [eep talking] is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Oh Let’s stick to it
Ev’rybody’s talking about
John and Yoko, Timmy Leary, Rosemary, Tommy smothers, Bobby Dylan,
Tommy Cooper, Derek Tayor, Norman Mailer, Alan Ginsberg, Hare Krishna,
Hare Hare Krishna
All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Gostaria de reatar meus sonhos de ver as Marchas, como dizia Paulo Freire, as marchas pela educação que queremos, as Marchas dos que são excluídos, as marchas dos que amam e necessitam esconder que amam, as marchas contra a submissão humana do domínio do Senhor para com o servo, a marcha contra velhos sistemas que emperram o crescimento da raça humana em nosso planetinha Azul.

Queria ver gente na rua, cansada de opressão, usando todas as linguagens humanas e criativas para expressarem seus desejos e sonhos. Só pra sentir um pouco de indignação, só pra sentir que ainda existe “Lugar”.
Por enquanto é isso!

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~ por Naíme Silva em 26 março, 2007.

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