Quer um biscoitinho?

Biscoito

Maria Aparecida Venegeroles

Muitas são as teorias que embasam a atuação do gestor, algumas são convergentes na medida em que o colocam como o centro da ação.

Nesse sentido o gestor aparece como mola propulsora de mudanças, responsável pela criação de espaços de reflexão, articulador de conflitos; enfim aquele que detém o saber para alguns e o poder para outros, de projetar suas ações e também a de seus subordinados, através da releitura do contexto social no qual esta organização esta inserida.

Em outras teorias a atuação do gestor é claramente divergente, ora o gestor aparece como aquele que viabiliza a expressão do conflito na busca de soluções, ora aparece como aquele que tem a função de abafá-lo, mantendo-o bem escondido e se possível evitando a todo o custo o surgimento de novos conflitos.

As posturas esperadas dessa entidade o gestor são tão diversas na teoria como na prática junto à equipe de trabalho, como são diversas no curso de especialista em educação desta faculdade, na terça-feira somos levados a pensar de forma ampla e na quinta-feira somos levados a pensar nossa práxis sob a ótica canina da resiliência.

Pensar a gestão enquanto convergência e divergência de concepções se por um lado traz a possibilidade de repensar o passado, romper posturas cristalizadas no presente e propor mudanças no futuro, por outro lado traz à luz a fragilidade do papel do gestor de CEI, que de tão insignificante nos faz desaparecer dentro do contexto da educação, que desconsidera nossa história dentro da Assistência social e mais ainda também nossa formação de acadêmica e experiência no exercício em CEI e, portanto a gestão multidisciplinar.

Enquanto gestora de CEI, percebo em mim e também em meus colegas a necessidade de atuar de forma dialética, onde a gestão esteja mais voltada ao “gestar” no sentido de criação, mas ironicamente a Educação não tem se mostrado um terreno fértil para a gestação de idéias e sim de ideais que insistem em permanecer no mundo das idéias. Se por um lado a administração cria espaços em abundancia para a discussão, recheados tal qual biscoitos, de conceitos ditos modernos e propõe mudanças, por outro lado fecham através de comunicados, decretos e etc. as possibilidades de atuação, nos forçando a engolir os tais biscoitos goela abaixo, atulhados que estamos na “burrocracia” sem nem perceber se o tal biscoito e fresquinho porque é……..ou se é…….porque é fresquinho.

Nesse processo de transição ao qual somos submetidos, diariamente nos percebemos sendo levados do céu das possibilidades ao inferno da realidade educacional brasileira que propõe, mas não viabiliza o exercício efetivo da gestão pelo gestor, as mesmas legislações, comunicados, circulares que nos colocam em um papel de Deus que não desejamos ocupar em outro momento desconsidera nossa existência.

Embora essa dicotomia da gestão dialética versus gestão estratégica presente neste curso de formação e também em nossa pratica diária, se apresente como um solo rico para o crescimento acadêmico, profissional e pessoal, por outro lado tem se mostrado um solo rico para a aquisição de doenças relacionadas ao stress e inconformidade frente a essa maldita resiliencia que o sistema educacional insiste em nos impor, situação que me leva pensar quantos ainda deverão perecer entalados com o tal biscoitinho de recheio duvidoso.

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~ por Naíme Silva em 26 março, 2007.

Uma resposta to “Quer um biscoitinho?”

  1. Oi Cida!!! Você tem um humor invejável, adoro ler o que escreve! vamos escrever a varias mãos a cronica “As piolheiras de SAS” ???

    ehehehehehe

    Bjos,

    Naíme Silva

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