14/07/2010 | Pesquisas/Ciência | Brasil Cientistas defendem a liberação da maconha Publicado em 14/07/2010

•14 julho, 2010 • 3 Comentários

Por Eduardo Geraque

Um grupo de neurocientistas que estão entre os mais renomados do país escreveu uma carta pública para defender a liberalização da maconha não só para uso medicinal, mas para “consumo próprio”.

A motivação do documento foi a prisão do músico Pedro Caetano, baixista da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, que ganhou repercussão na internet. Ele está preso desde o dia 1º sob acusação de tráfico por cultivar dez pés de maconha e oito mudas da planta em casa, em Niterói (RJ). Segundo o advogado do músico, ele planta a erva para consumo próprio. Os cientistas falam em nome da SBNeC (Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento), que representa 1.500 pesquisadores. De acordo com os membros da sociedade, existe conhecimento científico suficiente para, pelo menos, a liberalização do uso medicinal da maconha no Brasil. Veja a íntegra da carta:

“A planta Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, é utilizada de forma recreativa, religiosa e medicinal há séculos mas só há poucos anos a ciência começou a explicar seus mecanismos de ação. Na década de 1990, pesquisadores identificaram receptores capazes de responder ao tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da maconha, na superfície das células do cérebro. Essa descoberta revelou que substâncias muito semelhantes existem naturalmente em nosso organismo, permitiu avaliar em detalhes seus efeitos terapêuticos e abriu perspectivas para o tratamento da obesidade, esclerose múltipla, doença de Parkinson, ansiedade, depressão, dor crônica, alcoolismo, epilepsia, dependência de nicotina etc. A importância dos canabinóides para a sobrevivência de células-tronco foi descrita recentemente pela equipe de um dos signatários, sugerindo sua utilização também em terapia celular. Em virtude dos avanços da ciência que descrevem os efeitos da maconha no corpo humano e o entendimento de que a política proibicionista é mais deletéria que o consumo da substância, vários países alteraram, ou estão revendo, suas legislações no sentido de liberar o uso medicinal e recreativo da maconha. Em época de desfecho da Copa do Mundo, é oportuno mencionar que os dois países finalistas, Espanha e Holanda, permitem em seus territórios o consumo e cultivo da maconha para uso próprio. Ainda que sem realizar uma descriminalização franca do uso e do cultivo, como nestes países, o Brasil, através do artigo 28 da lei 11.343 de 2006, veta a prisão pelo cultivo de maconha para consumo pessoal, e impõe apenas sanções de caráter socializante e educativo. Infelizmente interpretações variadas sobre esta lei ainda existem. Um exemplo disto está no equívoco da prisão do músico Pedro Caetano, integrante da banda carioca Ponto de Equilíbrio.

Pedro está há uma semana numa cela comum acusado de tráfico de drogas. O enquadramento incorreto como traficante impede a obtenção de um habeas corpus para que o músico possa responder ao processo em liberdade. A discussão ampla do tema é necessária e urgente para evitar a prisão daqueles usuários que, ao cultivarem a maconha para uso próprio, optam por não mais alimentar o poderio dos traficantes de drogas. A Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) irá contribuir na discussão deste tema ainda desconhecido da população brasileira. Em seu congresso, em setembro próximo, um painel de discussões a respeito da influência da maconha sobre a aprendizagem e memória e também sobre as políticas públicas para os usuários será realizado sob o ponto de vista da neurociência. É preciso rapidamente encontrar um novo ponto de equilíbrio.”

Cecília Hedin-Pereira (UFRJ, diretora da SBNeC) João Menezes (UFRJ) Stevens Rehen (UFRJ, diretor da SBNeC) Sidarta Ribeiro (UFRN, diretor da SBNeC) FONTE: Folha de SP – só para assinantes

Fonte: http://www.psicotropicus.org/noticia/5952 acessada em 14 de julho de 2010.

A Psicotropicus é uma organização não-governamental fundada em 2003 que trabalha para mudar a atual política de drogas. É uma associação pioneira que ajudou a tirar o debate sobre drogas da marginalidade em que se encontrava naquela época e trazê-lo para o centro das discussões cotidianas. Para nós são claros os sinais de que a política proibicionista vigente só tem servido para agravar o “problema mundial das drogas”, intensificando a violência, a corrupção e o poder do mercado ilícito.

Quinologia

•30 maio, 2010 • Deixe um comentário

Saiu este Domingo uma entrevista com Quino na Folha de São Paulo – Caderno Ilustrada E1.
A entrevista está disponível online no site da Folha

FOLHA – Quando começou a desenhar a Mafalda, parece que o mundo ia mal. Mas parece que agora que mudaram para outros tipos de cartum, as coisas ficaram piores.
QUINO – Neste momento acho que sim. Com a crise econômica, com os bancos, está muito pior, o desemprego… A Europa está mal, há alguns anos não estava tão mal. Agora tem problemas com as imigrações, e a gripe suína. Bem, mas se lê também no Velho Testamento que a humanidade sempre esteve mal.

FOLHA – Quando fazia a Mafalda, tinha esperança de que o mundo poderia melhorar?
QUINO – Sim, Mafalda lutava para que o mundo melhorasse.

FOLHA – Por que as coisas pioraram?
QUINO – Não é que pioraram. Repare que de Adão e Eva saiu um filho assassino. Logo, de quatro pessoas que havia no mundo, 25% era um delinquente. Então não mudou nada. Somos assim.

FOLHA – Acha que as gerações futuras podem voltar a ter interesse pela política?
QUINO – Não sei, porque são gerações que nascem sabendo que o poder econômico é muito superior ao político em qualquer país. Antes faziam uma revolução, derrotavam um governo e mudavam a política. Mas agora não se muda nada.

FOLHA – Isso o decepciona?
QUINO – Na medida em que alguém esperava que o mundo mudasse para melhor, sim, é claro.

FOLHA – E como avalia o governo de Cristina Kirchner?
QUINO – Como a todos os governos, que não sabem o que fazer. É a mesma desorientação que têm todos os governos em todos os países.

FOLHA – Por que decidiu parar de desenhar, em 2008?
QUINO – Porque parecia que estava dizendo desde sempre que o mundo ia mal. E me parecia que tinha que parar para pensar e ver se achava argumentos diferentes.

FOLHA – Você também não queria se repetir quando parou de fazer a Mafalda. O que foi mais difícil naquela vez, parar ou continuar desenhando ou deixar um personagem tão importante?
QUINO – Evidentemente continuar teria sido mais difícil. Mas, quando parei a Mafalda, nunca deixei a página de humor. A Mafalda são 10 anos da minha carreira, que tem 50 anos. É uma mínima parte de tudo que fiz. E muitos temas da Mafalda são o que fazia nas paginas de humor, não há uma grande diferença.

FOLHA – Sente-se aliviado de não ter mais que preparar uma coisa nova todo dia ou semana?
QUINO – Sim, é claro, porque isso sempre foi algo que me deixou ansioso: se teria uma nova ideia para o outro dia.

FOLHA – E tem planos de voltar a desenhar?
QUINO – Quero voltar, mas não há planos. Porque depois muda sua situação, seu estado de ânimos, sua economia, sua saúde, as coisas mudam muito.

FOLHA – E como está sua saúde.
QUINO – Anda mais ou menos.

FOLHA – O que está de mais e o que está de menos?
QUINO – Bem, demais estão os anos… De menos, a juventude.

FOLHA – Picasso costumava dizer que era preciso muito tempo para tornar-se jovem…
QUINO – Isso era o incrível desse velho. Cada dia inventava uma coisa diferente. Mas quantos Picassos há no mundo? Pouquíssimos.

FOLHA – Mas você tem algum problema maior de saúde?
QUINO – São problemas crônicos, mas não é o caso começar a falar sobre isso.

FOLHA – E como foi a entrada do computador em sua vida profissional?
QUINO – Não entrou nunca.

FOLHA – Não o usa de forma alguma?
QUINO – Para nada. Minha mulher o usa, mas eu não. Sou analfabeto em tudo isso.

FOLHA – E tem alguma opinião sobre tecnologia?
QUINO – Acho que veio para mudar as relações humanas, de fato. Porque as pessoas não se comunicam mais com seus vizinhos, mas com gente que está muito longe.

FOLHA – E acha que isso é mal [sic] para os jovens?
QUINO – Para eles, não, porque já nascem lidando com essas tecnologias. O problema é para os que viram outro modo de se comunicar.

FOLHA – Você se sente de alguma forma distanciado ou excluído por causa disso?
QUINO – Excluído, sim. Porque, por exemplo, na Europa é muito comum que você vá ao correio e não haja uma pessoa para atendê-lo. Você tem que ir a uma máquina, pesar a carta, ver quanto tem que pagar e tudo o mais, sem encontrar uma pessoa para lhe dizer que gostou do seu penteado hoje. Não há mais contato com nada.

FOLHA – E tem acompanhado os humoristas da Argentina de hoje em dia?
QUINO – Sim, mas o que acontece é que o humorismo está desaparecendo no mundo inteiro, como no cinema. No Brasil, havia “O Pasquim”, onde se publicavam desenhos de Ziraldo, Borjalo, Millôr Fernandes… Agora não há mais revistas que publiquem estas coisas. O que acontece é que somos uma raça em extinção nesse momento.

FOLHA – Não vê quem possa sucedê-lo?
QUINO – Sim, mas é que estão fazendo outras coisas. Tudo que sai no mundo se publica imediatamente. Ninguém tem pudor de ocultar o que faz. E nós humoristas éramos um pouco as pessoas que denunciavam situações que nem todo mundo se dava conta. E, agora, o que se vai denunciar? Há vários livros denunciando de tudo na política e não acontece nada. Antigamente você desenhava algo e ia preso. Agora, nada importa.

FOLHA – Mafalda lhe trouxe algum tipo de problema?
QUINO – Não, as páginas de humor me deram muito mais problemas com a censura, por exemplo. Um grupo de guerrilheiros assaltou um banco, matavam um polícia e deixaram uns papeis com páginas minhas de humor.

FOLHA – E teve problemas por isso?
QUINO – Não. Mas na época, era 1976, havia muita insegurança, eu tinha muitos amigos que morreram ou desapareceram, e como estar na agenda de alguém era muito perigoso, eu fui embora da Argentina, para Milão.

FOLHA – Que faz para passar tempo?
QUINO – Escutar música, ver desenhos e tratar de encontrar algum estimulo para poder continuar. Leio jornais e revistas e vou ao cinema.

FOLHA – Gostou de algum filme recentemente?
QUINO – Sim, vi muitos. Gosto muito de [Abbas] Kiarostami e dos irmãos Kaurismäki. Alguns filmes de que gostei muito foram Tatarak (2009) e o último de [Quentin] Tarantino, “Bastardos Inglórios”. Sempre gosto muito dos filmes dele. Também gosto muito de alguns italianos, como “Almoço em Agosto” (2008).

FOLHA – Vejo que é um cinéfilo. E falando das coisas que gosta: como um cidadão de Mendoza, também gosta de vinho?
QUINO – Não, um pouquinho não. Gosto muito de vinho. Apesar de um senhor que se chama Michel Roland [francês, consultor de vinícolas], que impõe um tipo de vinho que tem o mesmo gosto em todo lugar. Na última vez que fui ao Brasil, jantei com Ziraldo e pedi um vinho brasileiro. Ele me disse: “Está louco?” Bem, pedimos um e me pareceu ótimo. Com esse Michel Roland o vinho esta virando uma espécie de Coca-Cola no mundo inteiro.

FOLHA – E gosta mais de vinho do que de cerveja?
QUINO – Não, da cerveja também gosto.

FOLHA – Agora estão cheios de cervejas brasileiras por aí…
QUINO – Sim, também está se degradando em todo o mundo. O lúpulo que antes se cultivava fresco agora vem envasado em pó para fazer a cerveja.

FOLHA – Você critica muito a industrialização dos alimentos em “Que Presente Inapresentável”…
QUINO – No último, que se chama “A Aventura de Comer” [inédito no Brasil], muito mais.

FOLHA – Sente falta da comida de anos atrás?
QUINO – Oh, sim, demais. Sobretudo se você fala de tomates. Hoje eles não têm nada a ver com quando eu era jovem. Não têm perfume, sabor. Em geral, isso acontece com todas as verduras.

FOLHA – Consequência da industrialização?
QUINO – Claro, se você tem que fazer milhões de pessoas para comer, não fica tão bom. É como fazer uma janta para quatro pessoas ou para 1.200 pessoas. Quando é para muita gente sempre diminui a qualidade.

FOLHA – Mafalda não suportava sopa. E você?
QUINO – Eu gosto, sim. Isso era só uma alegoria dos governos militares, algo que ela não gostava, mas que tinha que suportar.

FOLHA – Tem alguma expectativa de quando voltará a desenhar ou publicar livros?
QUINO – Em breve vamos começar a recompilar desenhos que não estão editados em livro, que são do último período, na revista “Viva”, do [jornal] “Clarín”. Além de algumas páginas antigas que nunca se publicaram em livro e que ainda estão muito atuais, apesar disso.

FOLHA – Há coisas suas publicadas há muito tempo que ainda estão atuais. Isso é sinal da genialidade do Quino ou da dos nossos políticos?
QUINO – É assim, a realidade muda muito pouco, e os temas são recorrentes… A corrupção e tudo isso. Você lê Hamlet e tudo que se passava naquele castelo é o que se passa na Casa Branca ou em qualquer palácio de governo. As intrigas… os assassinatos… não muda nada.

FOLHA – Então os humoristas estão condenados a se repetir?
QUINO – Enquanto nos ocuparmos sobre como funciona a sociedade, sim, porque ela se repete. O que muda é a tecnologia. E, depois, o ser humano segue tão mal como sempre.

Quino

Imagem de Quino por Dario Lopez-Mills/AP

Feliz Natal!

•29 novembro, 2008 • 1 Comentário

unclesanbynoistarre2

pagu

•22 dezembro, 2007 • 1 Comentário

“HOMEM que me ouves, sai da tua prisão! ROMPE os grilhões que, mais do que escravizar-te, te cretinizam, enfrenta os imbecis camuflados de duce, esses führes de todos os teus minutos, esses improvisados condutores de superscitiosas ‘cadeias de felicidade’, vendedores de bananas – quer se chamem Plínio Salgado, Luiz Carlos Prestes, Adhemares, Borgis, Caio & Cia., turbas de pestidigitadores!” (PAGÚ)

Gente é pra brilhar…não morrer de fome!

•20 dezembro, 2007 • Deixe um comentário
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O q é? o q É????

•20 dezembro, 2007 • 5 Comentários
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•20 dezembro, 2007 • 1 Comentário
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